Gabriel Duran é artista visual e trabalha entre desenho, pintura, gravura, escultura, instalação e texto. Sua pesquisa investiga relações entre corpo, matéria, vestígio, arqueologia e tempo profundo, entendendo o desenho como gesto, registro e forma de escavação.
O carvão ocupa lugar central em sua produção, tanto como matéria gráfica quanto como substância de transformação e memória. Em parte dos trabalhos, o próprio artista produz o carvão a partir da carbonização de madeiras encontradas, incorporando à prática processos de apagamento, sobreposição, acúmulo e permanência.
Nos trabalhos recentes, Duran aproxima arte contemporânea, patrimônio rupestre e imagens do cosmos, explorando diferentes escalas de duração e presença humana no território. Interessa-lhe refletir sobre como descobertas arqueológicas podem deslocar nossa percepção do passado e ampliar a profundidade temporal com que imaginamos o território brasileiro.
O corpo permanece como elemento fundamental de sua pesquisa, sobretudo em diálogo com a dança. Surge como gesto, energia, rastro e vestígio em formação, um estado transitório da matéria inscrito no tempo. Entre arqueologia, matéria e cosmos, sua obra procura construir relações entre o instante de uma presença e temporalidades que excedem a experiência humana.
gabriel@gabrielduran.com @gabrielduranfraga (IG)
Retrato: Rodrigo Fonseca